15/09/2005 - 17h04
Sexóloga cataloga vocabulário sexual de ortodoxos em Israel1
Jerusalém, 4 jul (EFE).- Os judeus ortodoxos, com um vocabulário específico para falar das relações sexuais, não se referem diretamente a elas e, entre outras expressões, empregam a de "fazer as pazes" quando falam de fazer amor.
Na gíria dos ortodoxos o "pincel" é um eufemismo para designar o órgão sexual masculino, segundo um dicionário preparado pela sexóloga Guila Brunes, que o jornal Yediot Aharonot de Tel Aviv divulga nesta segunda-feira.
O dicionário tem por objetivo, a princípio, cooperar com os médicos que nem sempre entendem a que se referem quando os que sofrem de impotência marcam consultas - após o conselho de seus rabinos - para que lhes receitem medicamentos a fim de combater o problema.
Trata-se de religiosos que cumprem rigorosamente o preceito bíblico da procriação. "A paz do lar" é um dos principais preceitos para os dois cônjuges na vida matrimonial.
A impotência foi durante muitos anos um tabu entre os "charedim", os "Temerosos de Deus", não menos que na sociedade em geral, até o surgimento de medicamentos que ajudam a atenuar esse problema.
Uma das empresas que produzem pílulas para combater a impotência organizou um curso para sexólogos e médicos de família a fim de ensinar a eles a interpretar as metáforas com que os ortodoxos se referem ao sexo.
A maioria das expressões relacionadas com o sexo tem suas raízes na lei judaica, mas o cotidiano nas ruas dos ortodoxos também contribuiu para enriquecer o vocabulário.
O órgão sexual feminino é chamado na linguagem das ruas como "o lugar", expressão que é um dos eufemismos com que os religiosos se referem também a Deus.
Outra referência, no caso das mulheres, é "o telefone". E para se referir às relações sexuais dirão que são "como um pincel no telefone", ou também "oneg shabat", o "prazer do sábado".