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10/10/2009 - 15h23
Com atrasos e pouco público, Erótika Fair traz australiano 'Pricasso' a São Paulo
Márcio Padrão
Do BOL

Márcio Padrão/BOL

Australiano usa pênis como ferramenta artística há seis anos

Australiano usa pênis como ferramenta artística há seis anos

Investindo em duas edições por ano, a Erótika Fair precisa estar sempre atrás de novidades. Para esta 15ª edição, que teve início na sexta (9) e vai até 12 de outubro, no Mart Center, em São Paulo, o evento voltado ao mercado erótico trouxe o australiano Tim Patch, pseudônimo "Pricasso", artista performático que pinta quadros com seu pênis.

Não fosse o inevitável estranhamento, a técnica de "Pricasso" -- um trocadilho entre o nome do pintor espanhol e "prick", uma gíria inglesa para o órgão sexual masculino -- poderia ser considerada bastante simples. Consiste em ficar quase nu -- ele usa apenas cartola, botas e gravata prateadas, como uma marca registrada pessoal --, mergulhar sua genitália nas tintas e, com as mãos, usá-la como um pincel, esfregando-a na tela enquanto retrata o modelo.

Outra variação da técnica é usar o bumbum para pintar áreas maiores da obra, como o segundo plano. Em cerca de 20 minutos, a caricatura está pronta.

VEJA MAIS FOTOS DO EVENTO

Segundo a doutora em Artes Plásticas e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Maria do Carmo Nino, não dá para saber ao certo se o que "Pricasso" faz pode ser aceito como arte, pois seria necessário analisar aspectos como a legitimação do público ao seu trabalho e os espaços onde ele costuma expor. "Hoje na arte não existe uma restrição a determinado material ou poética, mas é preciso saber se há nele uma colocação crítica perante algum tema", opina a professora.

Tim Patch, que faz pinturas dessa forma há seis anos (antes trabalhava como pedreiro), admite que há uma certa resistência de seu trabalho no meio artístico, mas afirma já ter sido aceito em algumas galerias e museus "com a mente menos fechada", desabafa.

No entanto, não esconde o orgulho quando pede para a reportagem olhar um mural de fotos com vários de seus clientes pelo mundo. "As pessoas gostam, acham divertido. Não me preocupo muito com isso [se é arte ou não], apenas gosto de me expressar de uma forma não convencional", define.

Estandes e corredores vazios
Como nas recentes edições, a feira é dividida em dois espaços: o Erótika Business, para palestras e expositores de produtos e serviços eróticos; e o Erótika Hot, mais voltado a shows e experiências "picantes".

Dentre as atrações desta última, estão espaços para brincadeiras eróticas, cabine para vouyer e uma novidade desta edição, o Castelo dos Prazeres, um labirinto escuro onde casais praticam swing. Tudo fica restrito às carícias; não é permitido o sexo consumado entre profissionais e visitantes.

Um ponto negativo ficou por conta da desorganização da estrutura e da programação. Marcada para começar todos os dias às 15h, a feira acentuou um problema comum nas últimas edições: pouco público durante a tarde da sexta-feira, com corredores ocupados apenas pelos profissionais e espaços ainda sendo montados. Além disso, a reportagem contou doze estandes vazios. Ainda assim, o criador do evento, Evaldo Shiroma, trabalha com a expectativa de público de 20 mil pessoas, a mesma de outras edições.

No início da noite, o Erótika Hot abriu as portas, e os visitantes começaram a chegar. Além da apresentação de "Pricasso", outro ponto alto foi a rápida participação do trio musical Sex Dolls em um dos estandes.

Composto pelas ex-atrizes pornô Júlia Paes e Carol Miranda e pela modelo Sabrina Boing Boing, o grupo cantou duas músicas e tirou fotos. As cantoras afirmam estar com uma agenda de 20 shows mensais pelo Brasil.

Sobre a polêmica das Sexy Dolls com o programa "CQC", no qual foram chamadas de "prostitutas" em um suposto engano do apresentador Marcelo Tas, o processo na Justiça ainda está correndo. Chegaram a ganhar uma multa do programa por outra exibição indevida do trio após o ocorrido. "Não fazemos mais questão de falar com eles, pois aquilo não foi um mal-entendido, foi mal intencionado mesmo", reage Júlia Paes.

Serviço
15ª Erótika Fair
Quando: 9 a 12 de outubro de 2009, das 15h às 23h
Onde: Mart Center (Rua Chico Pontes, 1500, Vila Guilherme, São Paulo)
Ingressos: Erótika Business (entrada franca); Erótika Hot (R$ 30 mulher, R$ 50 homem)

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