14/10/2008 - 20h34
Erotika Fair atrai profissionais e "voyeurs" em São Paulo
MÁRCIO PADRÃO
Do BOL
|
Márcio Padrão/BOL
Modelo oferece produtos no corredor da Erotika Fair que acontece nos dias 16, 17 e 18 de outubro
|
Vibradores de todos os tamanhos e formatos, roupas íntimas, fantasias, preservativos, cremes íntimos com sabores, e claro, mulheres e homens seminus desfilando pelos corredores. A 13ª edição da Erotika Fair, um dos maiores eventos do mercado erótico brasileiro, começou na última sexta-feira (10) no Expo Mart, em São Paulo (SP), sem economizar na variedade de produtos e atrações.
Nas primeiras horas do evento, o pouco público era formado principalmente por profissionais que buscavam fechar novos negócios. No início da noite, os visitantes - a maioria homens - já saíam do trabalho para conhecer os estandes, tirar fotos com as modelos e desfrutar dos shows. As apresentações de dança do ventre, striptease e até de sexo explícito ao vivo foram bastante concorridas.
Os rapazes também formaram fila na seção de brincadeiras eróticas. Lá o participante entra em uma cabine escura e a modelo dança, o toca e dança novamente com o corpo colado ao dele, mas com um capuz que lhe tira a visão.
"É por pouco tempo, mas dá para sentir tesão sim. Eu interagi com ela [a dançarina], pude pegar no corpo dela sem restrições", afirma o engenheiro M.M.T., 27 anos. "Eu faço isso pela grana, mas também acho divertido. Comecei porque sempre gostei de dançar e hoje me apresento em casas noturnas", revela a dançarina Bianca, 18 anos, que diz nunca ter transado por dinheiro. "Mas também não tenho nada contra quem faz isso", complementa.
Conscientização
A Erotika Fair também tem seu lado consciente, pois a programação inclui cursos e fóruns relacionados à sexualidade. No dia de abertura, o espaço Templo de Lilith apresentou cursos sobre sadomasoquismo, pompoarismo e pole dance (dança sensual no poste).
"As pessoas acham que o pompoarismo é algo místico, mas não é, é apenas natureza. A mulher precisa conhecer melhor os benefícios que seu corpo pode lhe proporcionar. Com o pompoarismo, somos capazes até de gozar sozinhas, durante o trabalho", incentiva Lu Riva, pompoarista e dancarina que ministrou o seminário.
A terapeuta sexual Ana Canosa, da Sociedade Brasileira de de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash), também promoveu um debate sobre pedofilia, explicando o conceito, as questões criminais e psiquiátricas ligadas ao tema.
"Quando Freud estudou a sexualidade, considerou a pedofilia uma perversão, mas hoje é chamado pela psiquiatria de parafilia, é algo que a pessoa só consegue se satisfazer se praticar aquilo, como por exemplo, alguém que só chega ao orgasmo se o parceiro usar sapatos vermelhos", esclarece. A pedofilia é a busca por qualquer atividade sexual com crianças e adolescentes, é considerada no Brasil crime hediondo e inafiançável pela Lei 8072/90 e prevê dois a seis anos de detenção.
"Não finjo orgasmo"
No entanto, a diversão preferida dos marmanjos era mesmo obter fotos das modelos em roupas mínimas e nas mais diversas posições. A dançarina e modelo Rommy Andrade fez muitas caras e bocas para as câmeras, mas a atriz pornô Morgana Dark não economizou na nudez, pois levantou o vestido e mostrou todas as partes íntimas, para a alegria dos 'voyeurs' que fotografavam tudo.
"Consigo muita divulgação no evento. Essa divulgação me ajuda a fechar mais shows em casas noturnas. Minha média tem sido de 15 shows por mês", destaca Rommy, que também tentava fechar parcerias para lançar uma linha de moda sensual.
Já Morgana estava vendendo seu primeiro DVD erótico como produtora e diretora, "Lições Sexuais de Morgana Dark", e sua autobiografia em livro "Feitiço de Eros". A atriz afirma ter atuado em mais de 200 vídeos, mas não finge orgasmo nas cenas. "Quando não tenho, simplesmente é assim. Mas não vejo problema em quem finge, pois a função do ator é transmitir o prazer ao espectador", define.