"Sou casada há 8 anos e, de comum acordo com meu marido, optamos por não usar camisinha. O problema é que em junho engravidei usando DIU e perdi o bebê; a partir de então decidi evitar a gravidez usando camisinha. Vou ao ginecologista regularmente e o resultado do meu último papanicolau sugeriu que eu tenho gardnerella vaginal. O meu médico não foi muito claro quanto ao contágio, dizendo somente que era sexual; como ele conhece o meu marido como um amigo, fico em dúvida se meu marido me infectou ou se isso ocorreu devido à prática do sexo anal, apesar de todo procedimento higiênico. Por favor me responda pois já procurei me informar e não consegui nada até agora. Um grande abraço."
A relação entre o médico ginecologista e sua cliente é mesmo muito delicada. Pena que não são muitos os profissionais que se dão conta da responsabilidade que é acompanhar a mulher nos cuidados com a saúde sexual dela.
Uma das maiores dificuldades da mulher é conseguir sair do consultório ginecológico com todas as dúvidas e apreensões sanadas.
Bem, mas isso não é privilégio dos ginecologistas: infelizmente muitos médicos ainda não se acostumaram a compartilhar com seus clientes todas as informações a respeito da saúde ou dos problemas de saúde que os clientes apresentam, dos tratamentos possíveis, das prováveis causas, etc...
Mas é também responsabilidade da mulher fazer todas as perguntas necessárias para que tenha todas as informações que precisa para se situar em relação ao próprio corpo e à sua saúde.
A Gardnerella Vaginalis é uma bactéria que provoca vaginite, e costuma ser a terceira causa mais comum desse tipo de infecção tão incômoda. Ela pode fazer parte da flora normal da vagina e se proliferar de forma descontrolada, provocando a infecção, por uma alteração da acidez vaginal, por exemplo.
Mas a infecção também pode ser provocada por contato sexual, que é o fator principal de contágio, ou por contato com roupas íntimas ou toalhas contaminadas.
Como você vê, o que vai deixar você mais tranqüila é uma boa conversa com seu marido. Afinal, se existe insegurança em relação ao comportamento dele, é preciso falar sobre isso, concorda?
E é bom você rever o que pensa a respeito da postura de seu médico: você acha mesmo que ele poderia deixar de falar algo importante pra você em nome da defesa da categoria masculina?!? Não, acho que um bom profissional jamais faria isso, concorda?
(25/01/01)